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di Alberto Arecchi
OS HAUNEBUTS E A RAINHA DA ATLÂNTIDA
BERBERES LÍBICOS, TJEHENU, TEMEHU, HAUNEBUT


Temos que não confundir o fato de que hoje chamamos de "Oceano Atlântico" a grande extensão de água, para oeste da Europa Ocidental. Esta correspondência de nomes é muitas vezes invocada como prova pelos proponentes de uma Atlântida colocada no Caribe, ou nos Açores, e que afundou na escuridão profunda do Océano.
Pytheas, 30 anos após a morte de Platão, foi o primeiro que chamou de ‘Okeanos’ a vasta extensão do mar ocidental, mas depois, por toda a Idade Média, esse mar foi chamado "Mar das Tempestades" ou "das Trevas".
Em 150 dC, a famosa Geografia de Ptolomeu designou aquele mar como "Oceano Ocidental". O nome de Oceano Atlântico foi adotado mais tarde, entre os séculos XVI e XVII, após a "descoberta" da América, que no início era chamada simplesmente de "Atlântida". Por isso, conseguiu a conta enganosa e falsa (por muitos invocada em apoio de sua hipótese) que o nome dado recentemente ao Oceano Atlântico poderia indicar a localização da antiga Atlântida.
Há uma tradição oral dos Bérberes que indica come "Bahr Atala", que significa "mar da Atlântida", a região do Chott el Djerid, o fundo do antigo lago, cujo grande estouro, de acordo com meus estudos e minha suposição, foi a verdadeira causa da destruição de Atlântida. Bem, essa tradição tem um apoio significativo em um texto antigo, o Livro dos Jubileus, que faz parte da Bíblia judaica e da copta, enquanto na tradição católica é considerado um texto apócrifo. O Livro dos Jubileus lista toda a genealogia dos herdeiros de Adam. Nos capítulos que têm a ver com a divisão do mundo entre os filhos de Noé, esse livro cita repetidamente o "grande lago" como o limite da expansão para o oeste das terras confiadas a Ham e seus descendentes, e pelo menos uma vez o lago é expressamente chamado "Bahr Atala" ou "Bahr Atil" (a vocalização dependendo da tradução).


Desde tempos imemoriais os marinheiros ocidentais que tinham sido forçados a entrar e sair de suas ilhas, tinham aprendido a velejar no mar. Eles exploraram o Mediterrâneo, se tinham estabelecido nas Cyclades e na Creta, que antes daquilo tempo eram quase desabitadas, e depois passaram a comerciar com sucesso com o Egito.
Pode-se argumentar que este tipo de leões-marinhos não iria passar despercebida!
Era porém bem conhecido no Egito o facto aquilos marinheiros não serem nem sírios nem cretenses ou micênicos. Desde Khufu, em torno de 2600 aC, os textos referem-se a misteriosos homens do mar. Comerciantes, piratas, mercenários, de tempos em tempos, o "vento norte" os levava de mares distantes para os ramos oeste do Delta, onde eles eram chamados Haunebuts.
Nos textos das pirâmides, de 2500 aC, o Mar Mediterrâneo era chamado "o círculo circundante os Haunebuts" ou também "o verde dos Haunebuts". Um dos "Nove Arcos", ou seja, regiões do Universo dominadas por Faraó, foi chamado de "Arco dos Haunebuts". Sobre estes nove arcos, encontramos memórias da época do Rei Escorpião, antes de 3000 aC. Portanto, os Haunebuts tinham de existir antes de Byblos, Micenas, antes dos gregos e até mesmo antes do Egito!
Vários autores acham neste nome uma expressão mítica e genérica, e atribuem o nome de vez em quando aos “Povos do Mar”, vindo do mar do Norte. Os Haunebuts não foram, no entanto, uma expressão mítica. Os Temehu, os Tjehenu, são listados no mais antigo conhecido dos textos egípcios, por volta de 3200 aC. São pintados no templo de Sahure, cerca de 2500 aC. Os Tjehenu aparecem prestantes, com um cabelo rico, nariz aquilino e barba em renda. Sua pele é branca. Nesta imagem estão vestidos apenas com colares e outros ornamentos e uma tanga pequena.
Entre 2200 e 2050 aC, as populações de origem asiática, empurradas para o Delta do Nilo pelos amorreus, levaram u Pais para um estado de anarquia, conhecido na história do Egito como "o Primeiro Período Intermediário". O período seguinte, o Império do Meio. foi uma época brilhante e nova para as glórias do Egito, mas em 1780 aconteceu um retorno ao poder da população asiática que começou o Segundo Período Intermediário. Desta vez, os asiáticos foram surpreendidos pelos invasores, que organizaram um reino no leste do Delta do Nilo, com a cidade de Avaris como sua capital. Seis reis reinaram lá entre 1645 e 1537. Os egípcios chamavam-nos hicsos (estrangeiros, um termo que tem sido traduzido como "reis pastores", enquanto hoje é aceito o significado de "chefes de países estrangeiros"). Sua origem permanece desconhecida. (Nota 1)
Para a história oficial, a origem dos hicsos permanece um mistério, mas sua saída do Egito está bem documentada pelos textos.
Seqemenre rei de Tebas realizou em 1580 uma expedição para o Território do Norte, contra o rei dos hicsos Apophis, seguido por seu filho Kames (Kamose). Entre 1557 e 1548, o grande Ahmes (Ahmose, Ahmosis), irmão de Kames, conquistou Avaris e libertou o Delta, fundando assim o Reino Novo.
Como é que as forças do Faraó conseguiram derrotar os estrangeiros do Sul? O texto diz: "Kames lançou o primeiro ataque com a ajuda dos beduínos da Núbia". O Faraó Ahmose conseguiu conquistar o Delta por uma operação naval, e sabemos que dois de seus navios eram chamados de "Touro Indomável" e "Nórdico". (Nota 2)
Existe uma forte sugestão de que os expertos marinheiros Haunebuts, que se estabeleceram no Delta ocidental, teriam dado uma mão forte ao rei de Tebas, e eram bem conhecidos pelos egípcios, tanto por causa de sua reverência para com o touro como por suas origens "do norte". Outro tecto refere que Ahmose o Liberator fez aplaudir pelo povo sua esposa, a "Senhora de Haunebut", e proclamou na Stela da Vitória a equivalência entre os Haunebuts e a nobreza dos egípcios. Pierre Montet conclui que os Haunebuts eram aliados do faraó, na batalha para a conquista do Delta. (Nota 3)


No túmulo da rainha Ahhotep, esposa, ou talvez mãe de Ahmose, chamada de "Soberana dos bancos dos Haunebuts", (Nota 4), se encontraram três punhais de damasco, com o machado do faraó. A decoração dos punhais é decididamente do tipo micênico e a qualidade dos hieróglifos gravados nas folhas é bastante grosseira. Por conseguinte, deve ser um dom oferecido a Faraó por estrangeiros, e sabemos que o seu rival Apophis dava punhais 'Egeus' aos seus oficiais. A civilização micênica, pelo que se sabe, nao existiu, no entanto, antes de 1550 aC, e os tesouros encontrados em seus pontos fortes são atribuídos às realizações dos lendários Danaos contra as aldeias circundantes. Tudo isso reforça a hipótese de que é a arte dos Haunebuts, então senhores das rotas do Mediterrâneo, os aliados do faraó Ahmose, uma raça a que pertenceu a mesma rainha.


Deruelle observou a correspondência desta hipótese com o mito de Io. Zeus seduzindo Io, a filha de Argolida, representa o controle dos Ellenos nesse território, onde, em 1650, eles deixaram as suas espadas, âmbar e pedras preciosas em túmulos micênicos. O país, no entanto, era pobre e os agricultores viajavam por toda parte (no mito, Io foge sem parar, até que, no Cáucaso, Prometeu lhe sugeriu ir para o Egito). Neste caso, a vaca se tornou a mãe mítica do rei do Egito Epaphos, o que corresponderia com o Apophis hicsos. (Nota 5)
É claro que desde muito cedo uma potência marítima dominou o Mar Mediterrâneo e que os egípcios não conheciam sua origem.


Em 1307 aC, 80 anos antes da chegada dos Povos do Mar, Claire Lalouette indica um ataque à Líbia pelos recém-chegados, com cabelos loiros e olhos azuis, que os egípcios chamavam Tjehenu. Os Libu (líbios), os sucessores dos Temehu e dos Tjehenu, são mostrados na pinturas egípcias trajando vestes longas bordadas com um único feixe (direita), tatuados, com as penas em seus cabelos, parte do crânio rasado e uma longa trança que cai sobre a sua orelha direita. Em 1300 aC, no túmulo de Seti I, estão representados em seus trajes esplêndidos. Uma escultura da época de Ramsés II (1290-1224) representa a cabeça típica de um líbio, com a trança. Em uma inscrição da torre de seu templo mortuário em Medinet Habu, Ramsés III é glorificado pelo deus: "Eu coloquei o medo de você no coração da terra dos Haunebuts, Sua Majestade tem esmagado... os piratas do mar e de areia para baixo antes do seu nome".
No século XII aC, após as invasões dos Povos do Mar, os reis líbios subiram ao trono do Egito. O nome de Meshuesh, indicando um dos grupos designados entre os povos do mar, é muito semelhante aos termos Massyles e Masaesyles, nome de um povo berber que lutou fortemente contra Cartago e depois contra Roma. Os romanos chamavam-lhes Mazices, Heródoto falou deles como Maxyes. Ainda hoje, os berberes são nomeados com o nome Amazigh. Os Meshuesh foram provavelmente os mais antigos habitantes do Magrebe.
Vamos parar aqui, neste capítulo, que nos leva a descobrir os vestígios da Atlântida no Mediterrâneo no segundo milênio aC, e para identificar o lendário reino perdido como o berço da cultura da Idade do Bronze, o arquiteto da construção dos megalitos e portador do culto da Grande Deusa Mãe.

NOTAS
Alberto Arecchi, arquiteto, historiador de arte, presidente da Associação Cultural Liutprand (www.liutprand.eu), estudou durante anos uma hipótese que localizaria Atlântida no meio do Mar Mediterrâneo. Sobre este assunto, ele publicou um livro (Atlantide, ed Liutprand, 2001).
1 – W. HELCK, Die Beziehungen Ägyptens zu Vorderasien in 3. und 2. Jahrtausend, Harrassowitz, Wiesbaden, 2. Ed., 1971; ID., Die Beziehungen Ägyptens und Vorderasiens zu Ägäis, Erträge des Forschung, Wissenschaftliche Buchgesellschaft, Darmstadt, dez. 1979.
2 – W. HELCK, Die Beziehungen Ägyptens zu Vorderasien in 3. und 2. Jahrtausend, Harrassowitz, Wiesbaden, 2. Ed., 1971, p. 112.
3 – P. MONTET, L’Egypte éternelle, Marabout, Fayard, 1970, p. 142. 4 – Urk. IV, 21, G.
VANDERSLEYEN, Les guerres d’Amosis, in Monographie de la reine Elisabeth, 1971, p. 135. 5 – R. GRAVES, Les mythes grecs, Fayard, 1967, 56b.


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